O QUE É MRP, MRPII e ERP?
Devido à necessidade de reduzir os níveis de estoque, surgiram os primeiros sistemas de MRP (Material Requirements Planning). Estes sistemas ofereciam uma visão integrada dos bens, baseada no inventário disponível e nos períodos de reabastecimento.
Nos anos 80, o MRP evoluiu para MRP-II (Manufacturing Resource Planning), que tomava como base, além dos bens, outros recursos essenciais à produção, tais como mão-de-obra, máquinas, etc.
Aperfeiçoando ainda mais a solução, foi criado o ERP (Enterprise Resource Planning). Além de permitir a gestão da manufatura, o ERP permitiu controlar toda a empresa, da produção às finanças, integrando e sincronizando todos os departamentos.
Graças a esta evolução, hoje é possível documentar e contabilizar todos os processos da empresa, gerando uma base de dados única, sem as redundâncias encontradas nos sistemas anteriores, onde aplicações MRP e financeiras não eram integradas entre si.
As informações chegam de maneira mais clara, segura e imediata, o que proporciona um controle maior de todo o negócio, e, principalmente, de seus pontos vulneráveis: custos, controle fiscal e estoques.
Texto baseado na matéria “Uma breve análise das implementações de Sistemas de ERP”, publicado em maio de 2002 na revista Developers’.
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A indústria automobilística no Japão passou a ter ganhos significativos a partir da gestão adequada de estoques. Após a 2ª Guerra, com o país procurando se recuperar física e economicamente, os recursos materiais e financeiros eram muito escassos.
Dessa forma, para que a indústria automobilística se mantivesse ativa fez-se necessário adotar novos métodos de gestão de recursos materiais e de estoques, evitando que grandes quantidades de peças ficassem em estoque simplesmente esperando o momento de entrarem na linha de montagem. Posteriormente, ao descobrirem o milagre japonês, outras indústrias – inclusive fora do setor automobilístico - procuraram seguir o mesmo modelo de gestão.
A verdade é que a gestão de recursos materiais é uma das questões fundamentais para o sucesso de uma indústria, especialmente quando as margens são muito estreitas e a concorrência muito forte. Em situações como essa, é fundamental não apenas controlar os custos mas também melhorar a produtividade e promover a melhor utilização dos recursos materiais disponíveis.
Assim, para que as empresas passassem a controlar custos e aumentassem a produtividade era preciso promover uma melhor utilização dos recursos materiais.
Assim surgiram sistemas que tinham como objetivo permitir o planejamento de consumo de materiais e diversos insumos destinados à produção, mas sem que houvesse uma integração com outros setores ou departamento dentro da empresa.
Inicialmente foram desenvolvidos dois sistemas.
MRP – Material Requirements Planning - Planejamento das Necessidades Materiais – Esse sistema levava em consideração aspectos como nível de estoque, tempo de reposição, lotes de fabricação e consumo previsto, entre outras variáveis.
MRP II – Manufacturing Resources Planning - Planejamento de Recursos de Manufatura – Por sua vez, o MRP II planejava e organizava a lista de materiais necessários à produção, conhecida como Bill of Material ou BOM.
Com o tempo, muitas empresas perceberam a necessidade de integrar os sistemas MRP e MRP II a outras áreas e atividades da empresa, tais como contas a pagar e a receber, contabilidade, finanças, RH, dentre outros.
Com isso, seria possível ampliar o planejamento para além do setor de manufatura, verificando não apenas a previsão de consumo de materiais, mas também realizando previsões orçamentárias e de investimentos.
Assim, surgiram os sistemas ERP – Enterprise Resource Planning (Planejamento de Recursos da Empresa), que ampliavam as funcionalidades do MRP e MRP II para outros setores.
Os sistemas ERPs também chamados de sistemas integrados de gestão, agregam vários módulos que atendem necessidades de diversos departamentos e/ou processos de uma empresa. Eles possuem módulos que atendem não somente aos setores e/ou processos produtivos (Planejamento das Necessidades Materiais e Planejamento de Recursos de Manufatura), mas também os serviços contábeis, planejamento e controle financeiro, administração de pessoal incluindo, em diversos casos, soluções específicas para folha de pagamento, contas a pagar e a receber, dentre outros.
Um ERP representa uma evolução considerável na informatização de uma empresa, pois ao invés de termos softwares ou soluções operando de maneira isolada, passamos a contar com um sistema integrado, no qual a informação flui de maneira organizada de um departamento e/ou processo para outro.
Implantação do ERP
Para que a implantação de um sistema ERP seja realizada com sucesso você deve seguir alguns passos. São eles:
1º Passo – Definir quais módulos serão implantados primeiro
Caso a empresa já utilize algum sistema do tipo MRP ou MRP II, o processo poderá começar pela área de manufatura. Outras empresas preferem começar a implantação através dos sistemas de contas a pagar e a receber e também pelo módulo contábil e financeiro. Não existe uma receita pronta, uma vez que cada empresa tem suas peculiaridades e necessidades. O fundamental é que a decisão seja tomada com a participação dos departamentos envolvidos.
2º Passo – Definir como será feito o treinamento
Raramente é possível treinar todos os funcionários de um mesmo departamento ao mesmo tempo. Em empresas maiores, é comum treinar funcionários que atuarão como disseminadores junto aos seus outros colegas que não participaram do treinamento. Caso seja essa a opção, defina como isso será feito e como será dado o suporte inicial àqueles funcionários que não participaram do treinamento inicial.
3º Passo – Definir o melhor período para a implantação de módulos específicos
Procure fazer a implantação em épocas menos críticas em termos de produção ou faturamento. Se possível escolha períodos mais calmos para que os problemas verificados não tenham grande impacto no dia-a-dia da empresa.
4º Passo – Apresentar o projeto de implantação como uma atividade estratégica definida pela alta administração da empresa
Para “motivar” as pessoas envolvidas e reduzir possíveis resistências, deixe claro que a implantação do ERP é uma estratégia definida pela alta administração da empresa. Se possível, fazer com que a equipe envolvida reporte-se diretamente a um membro da diretoria, o qual será o chefe executivo do projeto.
5º Passo – Definir metas públicas
É fundamental que todos os funcionários da empresa estejam cientes das metas e objetivos de implantação do ERP. Preferencialmente, isso deverá ser feito em eventos (um seminário interno, por exemplo) que congreguem os funcionários. A utilização apenas de comunicação escrita deverá ser evitada. É importante que a direção da empresa manifeste seu interesse e apoio a implantação do ERP. Periodicamente, os resultados deverão ser apresentados publicamente ao invés de serem apresentados apenas em reuniões com um pequeno número de participantes. Sabendo disso, os responsáveis diretos pela implantação poderão intensificar seu empenho em cumprir as metas anteriormente apresentadas.
Fonte: Gestão em Tecnologia da Informação - Pedro Luiz Côrtes. |